sexta-feira, 17 de setembro de 2010
prisons. or: no bridge over trouble water
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
THERE ARE NO COINCIDENCES IN THE HOT SUN OF A CHRISTMAS DAY
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
terça-feira, 3 de agosto de 2010
domingo, 20 de junho de 2010
- why don't you get lost?
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Les parapluies de Cherbourg (ou, em português, os guarda-chuvas do amor) [für v.]

era uma prova à nossa sincronicidade e eu corri o risco. porque um dos meus lugares preferidos de berlim é de uma beleza bem estranha. ou de uma feiura tamanha, que já virou beleza. a ponte sobre os trilhos de trem enferrujados, de onde se vêem prédios industriais de formas retas e cores desbotadas, muros pichados e sujeira preta por toda a parte. onde a neve já não é branca, porque a neve pisada diariamente por centenas de pessoas indo e voltando dos seus trabalhos e dos seus não trabalhos em friedrichshein não é a neve branca dos parques onde as crianças de prenzlauerberg andam de trenó. é o chão dos que sabem se camuflar e não querem ser vistos. é onde cada um se sente mais si e mais ninguém. olhei primeiro para o trem passando. a luz amarela e o calor de dentro dos vagões era uma provocação para mim e vc nem ligou. o trem é sempre o lugar para onde se pode ir para conseguir proteção ao preço de um bilhete validado caso apareça o controlador à paisana. um lugar quente à janela e uma mesinha onde se pode trabalhar enquanto a paisagem te atravessa sem te machucar. eu pensei nisso e me senti estranha por estar fora, sentindo o frio quase congelando meus pés. vc acho que não. claro que não. vc só se debruçou no parapeito pixado da ponte e ficou. eu olhando o trem e vc olhando o céu. eu penso mais em partir e vc pensa mais em ficar, ainda que seja pelo tempo de um instante. é uma dessas situações em que dá no mesmo e o que faz diferença é só a intenção. e por isso mesmo é uma dessas situações que não se consegue dizer. é impossível saber qual. por isso vc só produziu uma onomatopeia e declamou a citação do deleuze como se ele fosse um deus. depois traduziu do francês. alguma palavra que vc não encontrou em alemão não fez diferença porque eu já tinha entendido em francês. vc sempre esquece que eu entendo francês e que eu quase poderia falar se tomasse coragem. mas eu não me importo em ouvir a mesma coisa só que em línguas diferentes. eu até gosto. a imagem do buraco no céu tomou conta e a gente nem notou que estávamos misturando as línguas. a metáfora do declínio da sociedade industrial pelos ferros enferrujados já não interessava. embarcar num outro nível de vínculo com alguém é sempre algo que a gente não sabe de onde e nem como vem. só fomos inocentes em achar que era só nós dois. os raios do sol pelo buraco que se abriu na cobertura cinza e maciça que era um teto já não tinha nada a ver com o sopro da bomba que abriu brechas na parede de tijolos vermelhos durante a guerra. era justamente o oposto.
eu precisei de vc para fazer furos no meu guarda-chuva. e não pensei que, agora furado, ele não me protege mais quando chove.
- is it all over now baby blue?
- talvez. mas isso não é triste.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Tem uma lenda indiana que diz que quando vc domina completamente uma postura de yoga, as dualidades cessam e você medita no infinito. Dominar uma postura de yoga não é algo simples. Envolve manter o alinhamento, a coluna alongada, os ombros longe das orelhas e os musculos contraidos na medida certa. Continuar respirando calma e profundamente e manter o rosto sereno. De preferencia com um leve sorriso. É atenção total no próprio corpo. Entender como ele se move durante a imobilidade. Do que ele precisa. Na maior parte das vezes, ele só precisa que a respiração seja controlada. Respiração ofegante só é boa se não for por ansiedade, medo ou esforço. Dominar a postura é estar inteiro nela. Todos os sentidos alerta pra captar o prazer que ela te dá. O prazer sutil de uma vértebra que ganha mais espaço. O prazer de não ter passado, nem planos. Não é à toa que todas as dualidades cessam. Elas não acontecem no presente.
Dá um trabalhão conseguir isso, mas vale a pena.
Essa frase nao é minha, é dele. Eu lembrei dela agora e achei que cabia para falar da postura de yoga. Mas foi dita em outro contexto.
Ele olhou pra mim e disse: dá um trabalhão construir um amor, mas vale a pena.
E eu fiquei com vontade de dizer: dá, e só vale a pena se for igual a meditar no infinito.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!
domingo, 2 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
make a plan to love me.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
meet you at the statue in an hour.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
À sombra das meninas em flor.
Eu acho que foi nesse livro que o proust escreveu uma frase que de tanto pensar nela eu acabei memorizando. Era mais ou menos assim: todo ser é destruído quando deixamos de vê-lo e sua próxima aparição é uma nova criação, distinta da que foi imediatamente anterior e talvez de todas.
Eu pensei novamente nela hoje. Talvez pela proximidade dos seres que eu destruí.
Quando a li pela primeira vez, achei que tinha entendido. Mas hoje ela própria me pareceu diferente e soou meio indecifrável. O vazio do sentido perdido foi uma dor e isso não deveria me abalar.
Mas se o seu mistério habitar algum lugar que fica entre o hábito e a memória, talvez ele seja meu vizinho.
domingo, 25 de abril de 2010
essa música é foda e não adianta dizer mais nada porque toda a minha capacidade de expressão não lhe faria justiça.
[ismael, esse post é pra vc, claro!]
sábado, 24 de abril de 2010
Terça-feira, 20 de Abril de 2010 7:48:51 Cut up auf Leben und Körper
Era só mais um dia que começava com a caixa de emails cheia. Eu sempre começo apagando os spams e abrindo os chatos. Mas qdo eu vi o seu, fui direto nele, porque já fazia meses. Ele só tinha 4 frases soltas em letras pequenas:
I wish I could talk to you.If I would have asked you, would you have been my girlfriend?
Eu li mais de uma vez para prestar atenção nos verbos. E depois tentar decifrar se havia alguma relação entre essas 3 afirmações, essa pergunta e o fato de elas terem aparecido na minha caixa de correio às 7:48 da manhã de uma terça-feira. Uma delas me pareceu a mãe da outra. O desejo sempre possível e quase nunca realizado é a origem da pergunta feita muito tempo depois no pretérito do subjuntivo. Eu pensei em te responder sure, we can talk at anytime. Nós podemos e sempre pudemos. But we never did. We never do. Tem um monte de outras coisas que a gente não consegue fazer neste momento por causa da distância, mas falar não é uma delas, pois temos paliativos. Talvez vc queira dizer mais que falar quando diz falar. A frase seguinte é mais uma dessas coisas que vc gosta de construir e que têm o efeito de te afastar do presente. Vc não viveu o presente dessa frase quando ele poderia ter sido presente. E isso significa que vc não deve vivê-la no preterito do subjuntivo. A combinação desse modo e desse tempo verbais é bem perigosa e foi ela que não te deixou perguntar como eu estou me sentindo hoje. Se você só se interessa em como eu teria me sentido, eu tenho que dar um jeito de te dizer que eu não me interesso por arrependimentos. E não é só uma questão de gosto. Como teria sido se a tal pergunta tivesse sido formulada no presente há meses atrás é simplesmente algo impossível de te responder. O dado real é apenas a pergunta não feita. A pergunta não feita e o tempo perdido são uma dimensão incontornável da nossa temporalidade. Um dado histórico que por isso mesmo é também o nosso presente. Mas a resposta a uma pergunta não feita simplesmente não pode ser imaginada. Essa resposta simplesmente não pode existir. E é só por isso que eu não consegui responder ao seu email até agora.
Aqui no hemisfério sul o sol está ficando cada vez mais fraco. Mas não é por causa da escuridão que eu não consigo olhar para um passado que nunca foi presente. I wish I could talk to you either.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
comes a time
terça-feira, 20 de abril de 2010
Será que dor é o nome verdadeiro disso que a gente chama de dor?
- é. eu tenho sim esse impulso de destruir as coisas antes da hora.
- por que?
- acho que é porque eu tenho medo de dor. isso sempre explica muita coisa sobre mim.
- tá, mas prá que antecipar?
- sei lá.
- posso te fazer uma pergunta meio exagerada?
- pode.
- vc já sabe que vai morrer. vc quer antecipar ou quer viver?
- viver.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
something.
Eu não saí com você, mas fui beber numa rua com o seu nome. Foi coincidência, mas quando nos ligamos disso, achamos que esse seria um verso lindo para uma música. E essa seria uma música meio Lupicínio.
Hoje eu consegui acordar cedo e ir para a aula de yoga. Eu tava morrendo de sono e adormeci no relaxamento final. Acordei porque alguém esqueceu o celular ligado e ele tocou no meio do silêncio das respirações descoordenadas. O ringtone era all the lonely people e não something.
A moral da história é que nem sempre podemos escolher a trilha-sonora dos nossos dias.



